Nós todos sabemos que a vida muitas vezes não é longa o suficiente para viver tanto quanto gostaríamos, mas muitas vezes, além disso, não somos capazes de valorizar o que temos, o que vemos, desperdiçamos tempo com coisas que não merecem, não porque sejam irrelevantes, mas porque nosso coração não está nelas.

Mário de Andrade nos deixa um lindo poema (O valioso tempo dos maduros), que nos mostra uma bela apreciação da vida, que se conseguirmos nos inspirar nele, podemos sem dúvida dar muito mais valor a cada segundo com esse presente que chamamos vida

O valioso tempo dos maduros 

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, quero caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.

O essencial faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!

Mario de Andrade

Adaptado do site Perlas para el alma

Os doenças tem origem em coisas imateriais, inconscientes e ocultas que refletem uma parada do fluxo energético, fazendo com que um órgão seja atingido na forma de doença ou distúrbio. 
Essa parada do fluxo de energia ocorre entre dois a quatro anos após perdas ou fracassos no sistema e são sinais de “desordem” na alma da família, quando alguém está fora do lugar. 
Isto tem a ver com dinâmicas básicas de 3 tipos e subjacentes às doenças: 1) a tendência de seguir alguém rumo à morte, doença ou um destino específico; 2) tentativa de se colocar no lugar de alguém “é melhor eu morrer, do que você”, “é melhor eu sair do que você”; 3)penitência causada por culpa pessoal. 
As doenças acontecem também por causa da conexão que existe entre o órgão da pessoa com outra pessoa: é como se o órgão trabalhasse por essa pessoa excluída ou não-reconhecida. 
As resoluções dessa desordem no sistema familiar podem ser falsas, por meio de excesso de trabalho, agitação, dedicação profissional exagerada, exacerbação do pensamento, negligência/supervalorização corporal e melancolia.

Hellinger relata em “O amor do espírito”, (2009) que certos fenômenos de constelação significavam intrigantes eventos do sistema familiar:
1) Gagueira – Somando-se ao que já se sabe, por meio de outros paradigmas, a respeito da etiologia dessas doenças, a partir do paradigma do campo constelar, os distúrbios da fala mostram atitudes conflitantes ou segredo na família. Alguém foi mantido em segredo, ausente, sem ter chance à palavra. A pessoa olha como se perguntasse se tem permissão para falar.

2) Dependência química (inclusive álcool) – Falta do pai. O pai do cliente precisa ser acolhido no coração do terapeuta, trazido de volta e considerado sem julgamento. O pai desprezado pela mulher, leva a criança ao vício.

3) Doenças de pele (psoríase, dermatite, herpes) – Somando-se ao que já se sabe da etiologia dessas doenças, no paradigma do campo constelar, elas ocorrem quando um sentimento ruim de um ex-parceiro é deslocado para um filho do segundo casamento. No trabalho de constelação, o representante da segunda mulher deve pedir que as crianças sejam vistas com benevolência.

4) Transplantes – A doação liga as famílias do doador e do recebedor. 
4a) De órgãos: os “representantes” dos órgãos gritam. No canibalismo comer os órgãos dos inimigos de guerra trazia força e coragem aos vencedores. Era uma homenagem. Sem julgamento.
4b) De sangue: podem ocorrer mudanças de personalidade.

5) Psicose, esquizofrenia, bipolaridade – Somando-se ao que já se sabe, por meio de outros paradigmas, a respeito da etiologia dessas doenças, a partir do paradigma do campo constelar, se observou que o cliente “psicótico” alterna papéis de agressor e vítima mostrando que a paz não foi selada nas gerações anteriores. Observa-se sempre que houve uma cena violenta/assassinato na linhagem dos ancestrais da família do pai ou da mãe. A solução requer do agressor dizer “sinto muito” para que haja liberação das famílias do peso da vingança.

6) Epilepsia – Somando-se ao que já se sabe, por meio de outros paradigmas, a respeito da etiologia dessas doenças, a partir do paradigma do campo constelar, há um impulso assassino em direção a membros da família e a convulsão impediria a expressão desse impulso.

7) Obesidade – Essa posição é inviável porque o terapeuta corre perigo ao ficar entre a mãe e o cliente.

Certas listas são um risco de serem oferecidas porque as pessoas as tomam como um livro de receitas, para aplicação mental indiscriminada, sem intuição nem discernimento e, principalmente sem levar em conta os fenômenos do campo constelar. 
Por causa disso, melhor dizermos que a lista acima apenas reflete as experiências relatadas por Hellinger.


Evento – O Caminho da Cura  – Constelação Familiar
Data 15/06/2019 – às 10h – Sábado – São Paulo
Informações- WhastApp 11 973873144 – Selma

#EspaçoAuraQuartz 
#SejaEstejaSorria 
#SelmaFlavio 


“Quer foder comigo?”
Sexo casual 
é o novo modelo de relacionamento.
Uma mensagem,
Um olhar,
Algumas palavras e pronto!
O sexo ganhou um novo pseudônimo;
o aclamado: “foda”.
Então prepare o preservativo
que a noite vai ser de prazer.
Mas a preservação não é só 
por uma gravidez inesperada ou uma DST,
também nos preservamos 
do compromisso,
do apego,
das cobranças
e também do AMOR.
É mais fácil tirar a roupa do que o sorriso.
Tocar corpo do que o coração.
Preferimos alguém pra comer em uma noite,
a alguém que fique para comer com a gente no café da manhã.
Estamos tão fragilizados com compromisso
que matamos o prazer enquanto a carência nos enterra.
Houve um tempo em que as pessoas 
faziam amor, e eram felizes.
Mas hoje, elas fodem!!!
E talvez por isso exista pouca gente feliz
e tanta gente fodida.”

Marcos Bulhões

?

#SejaEstejaSorria


No meu primeiro workshop com Bert Hellinger, compreendi que os sintomas ou doenças não podem ser reduzidos a um fenômeno puramente pessoal. Quando trabalhamos com clientes que sofrem de problemas de saúde, frequentemente só encontramos uma solução quando olhamos para os seus sintomas ou doenças dentro de um contexto maior, como por exemplo, a família ou mesmo mais além. Quando fazemos constelações no campo da psicossomática, muitas vezes colocamos um representante para os sintomas ou doenças do cliente e o que frequentemente notamos é que esse representante é, de alguma forma, necessário para conceder um efeito de equilíbrio no sistema familiar

Vemos como os sintomas e doenças estão relacionados, não só com o paciente que os suporta, mas também com outros membros da família, ou com aspectos transgeracionais e traumas que ocorreram nessa família. A constelação mostra a interligação entre sintomas e doenças e revela que não são apenas os indivíduos que desejam a plenitude e integridade, mas também que os sistemas familiares têm uma memória e estão à procura do equilíbrio e plenitude, tentando incluir e retendo questões do passado que ainda não encontraram solução.

Ao incluir doenças e sintomas no trabalho de constelação sistémica, vimos que os representantes da doença estão frequentemente conectados a questões anteriormente excluídas, excluídas no sentido de que não estão resolvidas. Isso acontece porque no momento em que ocorreram não havia recursos suficientes para lidar com elas. Parece haver um princípio subjacente, que determina que o que não está resolvido não desaparece, permanecendo vivo ao longo das gerações. Quer queiramos ou não, precisamos aprender a lidar com essas questões porque, mesmo quando não estamos conscientes delas, quanto mais tentamos mantê-las à distância, mais elas encontram uma maneira de se expressar na nossa vida diária, quer seja através de sintomas e doenças, quer  através de padrões recorrentes a que não conseguimos resistir.

O benefício de uma constelação é o de que, através da inexplicável conexão dos representantes, estes assuntos inconscientes tornam-se visíveis e o cliente tem a possibilidade de se relacionar com eles mais uma vez. Através deste processo de tomada de consciência dessas questões não resolvidas e dos seus efeitos, há uma oportunidade de integrá-las, o que leva a um novo equilíbrio dentro do sistema. Com essa consciência mais ampla, pode haver menos sofrimento e mais liberdade e flexibilidade para o crescimento, o potencial e a evolução.

Um princípio das constelações é o de trazer esses aspectos, até então excluídos, para a superfície e ao nos abrirmos para um workshop de constelações, geralmente experimentamos uma expansão. A nossa visão sobre a nossa vida e sobre a nossa situação de vida amplia-se e, além disso, não podemos deixar de reconhecer que estamos conectados a muitas mais coisas do que poderíamos ter pensado antes. Do meu ponto de vista, isto leva-nos a um outro princípio no trabalho de constelação, porque o próximo passo é o de relacionar-se com esses aspectos não resolvidos e integrá-los, ou seja, identificar-se conscientemente com eles para não permanecer emaranhado neles de forma inconsciente. Este movimento de integração do passado é um movimento de entrega activa, reconhecer que os pais e a história da família, especialmente os aspectos não resolvidos e não integrados, estão vivos dentro de nós e em busca de expressão. Na maior parte das vezes tendemos a evitar estas identidades, mas a experiência mostra que em vez de temer e lutar contra elas, dar-lhes um lugar no nosso coração e até mesmo em todo o nosso corpo, permite que estes aspectos possam evoluir. Como resultado, experimentamos mais liberdade e paz e também temos a oportunidade de nos transformar.

*_Systemic Constellation Works meets Mystical Principals. Conversation between Stephan Hausner and Thomas Hübl.

Tradução do inglês por Eva Jacinto

Fonte evajacinto


Evento – O Caminho da Cura  – Constelação Familiar
Data 15/06/2019 – às 10h – Sábado – São Paulo
Informações- WhastApp 11 973873144 – Selma

#CasaAuraQuartz
#SejaEstejaSorria
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O corpo é a casa da vida e o legado primordial de nossos pais e ancestrais, que por meio dele nos passam uma vasta e útil informação. 
O corpo não questiona a si mesmo. 
Segue as regras de sua própria natureza. Nós, com nossa vontade, tentamos as vezes guiá-lo de acordo com nossas ideias, que nem sempre estão em consonância com suas necessidades. 
Por acaso o corpo está insatisfeito com si mesmo? 
É inimigo de suas doenças, quando na realidade ele mesmo as cria, as escolhe e até leva à própria morte?
Por acaso o corpo está contra ele mesmo?
No corpo vivemos sensações, sentimentos, pensamentos e também a presença do transcendente. 
Ele é o laboratório pelo qual a Alma se expressa e experimenta, um presente material para nossa singular viagem pessoal e Ítaca. A residência do biológico, o hormonal, o instintivo: nosso santuário.

Fonte #JoanGarriga – Viver na alma


Evento – O Caminho da Cura  – Constelação Familiar
Data 15/06/2019 – às 10h – Sábado – São Paulo
Informações- WhastApp 11 973873144 – Selma

#CasaAuraQuartz
#SejaEstejaSorria
#SelmaFlavio


“A maioria das mulheres não conhecem o prazer. Não gozam. Não parem. Não menstruam. Toda sociedade é organizada para servir ao prazer do masculino. Somos como somos por fruto de dores na alma, múltiplas violações.


Mulher tem que lavar a vagina com sabonete íntimo e passar perfume. Porque cheiro de vagina é sujo. Aliás mulher tem pepeca, piriquita, sei lá. Não tem vagina.


Logo, como parir? Estamos tão longe de nós mesmas, do nosso ciclo, dos nossos desejos. Estamos desunidas. Não cantamos se não for para seduzir. Não dançamos se não for para ser olhada pelos homens. Estamos afastadas das mulheres. Não comemos para não engordar, e nosso corpo é massacrado: depilado, cortado em cirurgias, pés amassado em salto, peitos esmagados em bojo.


Não nos tocamos. Não conhecemos nosso corpo. Já dissemos sim com medo de sermos rejeitadas. Tiramos o batom vermelho.
E por mais que façamos, nos sentimos em falta. Nos sentimos feias.
Mulher tem que servir ao homem. Ser mãe é feio. Vagina parindo é feio. Seio amamentando é feio. Bonito é dar prazer mesmo que não sinta. É peito durinho. Barriga chapada. É bebê chorando para dormir para voltar a ter vida conjugal.


Bonito é silicone, vida sem menstruar, pepeca com cheiro de sabão. Cumprir o padrão social sendo mãe, mas agendando a cesárea com escova e unha feita. Mamadeira.


Assim como dizem os tibetanos: vivem como se não fossem morrer e morrem como se não tivessem vivido. Mas o que vejo é: Dê a faminta mulher selvagem apenas uma oportunidade que ela sai e come a carne toda… E quando elas tem chance no parto, se empanturram. Parto é um portal poderoso que une vida, morte e sexualidade. Gritam, xingam, rebolam, beijam. Sentem dor sim até aceitarem o prazer. Pode não ser no parto em si, mas o prazer vem com a realização. O parto despe, desperta. Basta uma pequenina chance. Mas a mulher selvagem pode despertar de muitas formas: em um projeto que sai da gaveta, diante da morte ou doença. Ou num dia sem motivo que se sai para comprar pão na esquina, e com a faca e o queijo na mão, se descobre a fome. E um segredo: estamos tão presas… Uma mulher que acorda desperta uma comunidade inteira.

fonte
ecosolfeministafbes



No dia 10 de Maio às 19h30 – farei mais um trabalho em grupo de Constelação Familiar, deixo o convite, avisem a presença para o controle de vagas. Estarei no TATUAPÉ, pertinho do metrô. RUA FERNÃO TAVARES, 114 – contribuição 10,00 – para Constelar individualmente ou grupo entre em contato.

Inscrição pelo whastapp 11 973873144

Para quem não conhece esse link e entenda quantas mudanças profundas na vida pode trazer.

O QUE PRECISA SABER SOBRE CONSTELAÇÃO FAMILIAR SISTÊMICA


O que pode ser tratado:

  • Problemas de relacionamento entre os membros da família;
  • Comportamentos como, tais como: angústia, agressividade, culpa, medo, tristeza, ansiedade, depressão;
  • Relacionamento entre casais, namorados, casados, amante, parceiros anteriores – tratar questões de conflitos, separação, divorcio, amor;
  • Situações ocultas de relacionamento amoroso;
  • Abuso sexual, incesto;
  • Vícios, transtornos
  • Compartilha de filhos na separação;
  •  Herança;
  • Vida profissional;
  • Conflitos e questões empresariais;
  • Pessoas rejeitadas ou excluídas da família;
  • Dificuldades para engravidar, adoção e abortos;
  • Transplante de órgãos, consequências psicológicas e espirituais;
  • Saúde em geral. 

“Os sofrimentos familiares são como elos de uma corrente que se repetem de geração em geração, até que um descendente tome consciência e transforme a maldição em benção.”

Bert Hellinger



“A felicidade almejada pelo “eu” nos escapa com facilidade.
Nós crescemos quando ela se vai.
A felicidade da alma chega e permanece.
E cresce conosco.”
Bert Hellinger

Inscrições, informações 11 973873144 – Selma


Foram dois dias de trabalho com os membros das quatro instituições

Foi bastante rica em vivências a semana passada, quando realizamos em Rio Branco (Acre) dois workshops de constelações aplicadas à conciliação, à mediação e à resolução de conflitos. O primeiro em favor da Associação Beneficente Casa da União, realizado no auditório da Procuradoria-Geral do Estado, e o segundo, no Tribunal de Justiça do Acre, reunindo membros do TJ, do Ministério Público, da Procuradoria-Geral do Estado e da Defensoria Pública.

Constelação durante curso realizado no TJ-AC.

Durante três dias, muitos foram os aprendizados, com emoções fortes e libertadoras, mas vou mencionar aqui a constelação relativa a um caso criminal onde o réu é acusado de abusar sexualmente de 11 crianças. Ao colocarmos representantes para algumas das vítimas e suas famílias, observamos um padrão: em todas havia uma dinâmica de exclusão do pai da criança.

Inicialmente, as mães se posicionaram algumas olhando para um outro lugar (que não a filha) e algumas tentando proteger ou afastar a filha do pai. Em um certo momento, foi solicitado às mães que mostrassem às respectivas filhas o seu pai e que dissessem: “ele é o pai certo para você, e eu estou de acordo que você o tome como pai”. Algumas mães tiveram dificuldade em dizer isso. Mas, depois que o fizeram, em todas as famílias representadas o pai se aproximou e abraçou a filha, e tanto as filhas quanto as mães se sentiram mais seguras.

Faz sentido. Se uma menina não tem o direito de ter no coração o seu próprio pai como o pai certo para si, seja porque o pai não pôde estar presente, seja porque ele foi excluído, mesmo que de forma sutil e bem intencionada, pela mãe ou por outras pessoas, essa criança procurará o seu pai nos outros. Na melhor das hipóteses, terá dificuldades em seus relacionamentos, pois, inconscientemente, em cada homem procurará encontrar o pai, mas nenhum outro homem conseguirá substitui-lo – pois o pai é único. E ainda que o homem o tente fazer, a relação de casal será fatalmente desequilibrada e não será bem sucedida.

Porém a exclusão do pai pode ter consequências trágicas, como no caso visto nessa constelação. A exclusão do pai deixou as filhas vulneráveis e expostas ao crime sexual, sujeitas a facilmente aceitar e até mesmo buscar a atenção e o carinho de pessoas transtornadas.

Em um outro momento, na mesma constelação, as famílias se sentiram mais seguras também quando experimentamos colocar o representante do acusado na cadeia (esta também representada por uma pessoa). Mas ele não se mostrou arrependido ou regenerado, e sim agredido e injustiçado.

Workshop aberto à comunidade, realizado no auditório da Procuradoria-Geral do Estado do Acre

Ou seja, enquanto não conseguimos dar um tratamento adequado aos autores desse tipo de crime (e mesmo depois que o fizermos, se um dia isso for possível), a melhor e mais verdadeira defesa das crianças e jovens está na estruturação das suas famílias.

É claro que isso não reduz a responsabilidade do autor do crime, não substitui a atuação policial e judicial em relação a ele, nem elimina a necessidade de uma eventual abordagem punitiva, que deve ser acompanhada de algum tratamento que possa levá-lo a uma transformação positiva. Mas é necessário olhar também – e principalmente – para as vítimas e os que estão sujeitos a tornar-se vítimas, e buscar os recursos necessários para que se fortaleçam e possam sair da condição de vulnerabilidade.

Por isso é de grande importância o combate à alienação parental, ensinando as famílias a reconhecer o lugar do pai e da mãe na vida de cada um, e permitir que os filhos possam ter em seu coração um bom lugar para ambos, pai e mãe.

Os profissionais do direito, da mediação e da conciliação têm papel fundamental nesse trabalho, pelo contato direto com as pessoas que passam por litígios familiares e pela influência que podem exercer junto a elas. E, para que seja mais eficaz, o conciliador deve começar permitindo que as leis sistêmicas prevaleçam em seu próprio coração.

Membros do TJ, MP, DP e PGE realizam exercícios sistêmicos em grupos durante workshop

Fonte direitosistemico


Você tem questões em relação a abuso, agende a sua Constelação Familiar.
blog@selmaflavio.com.br



Na minha prática como analista junguiano, onde nos últimos 35 anos atendo umas 40 pessoas por semana, constantemente me deparo com a dificuldade da tomada de atitude assertiva, reflexiva, consciente e consequente, alinhada com o íntimo e respeitando, integrativamente, as dimensões familiares, sociais, laborais, espirituais, físicas e amorosas, levando em conta a sombra, os complexos e, acima de tudo, a alma. Agir, de fato, é o resultado de uma decisão, e esta implica em cisões, onde somos obrigados, simultaneamente, fazer escolhas e abandonos, e isso não é tarefa fácil diante da angústia, falta de fé, de sentido, das dependências, condicionamentos, hábitos, inseguranças, vícios, medos, ansiedades, ressentimentos, culpas, entre outras questões e padrões existenciais.

O ato da vontade não é tarefa fácil! Muitas vezes, após uma sessão, aparentemente transformadora, onde meu cliente vivenciou muitos insights, experienciou uma catarse reveladora, percebeu seus padrões de repetição, de condicionamentos ou suas tentativas, até então inconscientes, de reparar a vida mal vivida ou não vivida dos seus ancestrais, inadvertidamente alimento a fantasia de que, na próxima sessão, ele retornará totalmente transformado, com decisões e atitudes já encaminhas. Porém, na maioria das vezes, essa expectativa é frustrada, ao receber, na próxima sessão, uma pessoa mais regredida, retomando as queixas e dificuldades de muitas sessões anteriores.

Por que isso acontece? Na realidade, empreender mudanças não é tarefa fácil. É necessário enfrentar inúmeros mecanismos de defesa, que impedem as tomadas de atitude. Entre eles temos os padrões de condicionamento neurocerebral (porque o cérebro é uma máquina viciante que busca padrões de repetição), a dependência bioquímica correspondente ao afeto repetitivo e sua respectiva emoção, que funcionam como vício nas substâncias endógenas e, para complicar um pouco mais, os condicionamentos das relações interpessoais, onde nosso entorno relacional sabota qualquer tentativa de mudança, porque irá tirá-los da zona de conforto. Essa é a dinâmica da codependêcia, onde eles acabam dependendo da dependência dos dependentes e, por isso mesmo, dificultam a sobriedade dos “seus” dependentes.

Por isso, a evolução é tão difícil de acontecer, porque depende do desenvolvimento, que equivale a romper com determinados envolvimentos, exigindo um processo de divisão, diferenciação, separação, cisão e superação da crise da tomada de atitude, para que possa acontecer, posteriormente, a integração dos conteúdos separados, que faziam parte dos aspectos sombrios, outrora projetados ou negados. Porém, esse processo não depende apenas da vontade, do desejo, do conhecimento da necessidade de transformação ou devido a orientação de algum profissional, parente ou amigo. Porque existe um tempo que não é o tempo de Cronos, remetendo-nos ao tempo de Kairós, que não é lógico e depende dos contextos idiossincrásicos de cada indivíduo, e do momento em que a dor da manutenção do status quo passa a ser maior do que a dor do medo da transformação, e suas consequentes separações.

Fora isso, também tem a influência das fixações nos padrões unilaterais, onde determinados aspectos da natureza humana ficam extremados, “roubando” a energia psíquica das demais potencialidades e “atores”. Isso é o que chamamos, na psicologia analítica, de complexos constelados que, dependendo da intensidade, unilateralidade e literalidade de expressão, ganham o adjetivo de psicopatologia que, “é dotada de poderosa coerência interior e tem sua totalidade própria e goza de um grau relativamente elevado de autonomia” (Jung, 1984, A Natureza da Psique, §201). Porque os complexos “são grupos de associações, com tendência de movimento próprio, de viverem sua vida independentemente de nossa intenção” (Jung, 1983, Fundamentos de Psicologia Analítica, § 67). Levando em consideração de que a distribuição da energia psíquica, num indivíduo saudável, deve ser investida em todas as seis direções (frete/atrás; acima/abaixo; dentro/fora), contemplando toda diversidade e pluralidade dos universais, independentemente de suas qualidades. Porque, o que gera a “patologia”, é o investimento de energia psíquica em um ou alguns determinados aspectos universais, em detrimento da multiplicidade existente em nós, independentemente da sua característica ser atribuída ao bem ou ao mal, porque todo excesso torna-se nocivo e patológico.

Somos únicos, criativos, complexos e o que chamamos de realidade, na verdade, é resultado das nossas produções mentais, que estão flutuando na superfície do grande mar do inconsciente, com todo seu mistério que, como disse Jung, é havido em tornar-se realização. Onde todos os universais, presentes na nossa existência, podem contribuir para nos tornar singulares. E, por isso mesmo, uma mesma realidade comporta infinitas “verdades”. Obviamente, todas são legítimas e precisam ser acolhidas de forma simbólica, porque ao literalizarmos, diabolizamos a vida, hipostasiando, reificando, generalizando e unilateralizando, monoliticamente e monotematicamente, os fenômenos da natureza.

Divididos e paralisados, passamos a lutar, iludidamente, por mudanças externas, sem compreender que elas precisam acontecer, primeiramente, no nosso íntimo. Mas, na prática, o que as pessoas mais desejam é que tudo mude, com exceção delas mesmas. Na maioria das vezes, quando procuram um analista, a expectativa é de que ele seja um aliado para ajudá-las a transformar os outros, por acreditarem serem os causadores dos problemas das suas vidas. A unidade da consciência é uma ilusão, o Ego lida com recortes das fantasias, desejos, vontades, medos entre outras emoções e afetos, onde tudo que se torna realidade, perde a perspectiva da perfeição e plenitude, por deixar o âmbito das ideias. Por isso, uma das causas da resistência em realizar pode ser a de perder a perspectiva da perfeição e plenitude, que leva a frustação do ideal fantasiado.

Sabemos que tudo que vira realidade, imediatamente, começa a produzir frustações, em função da consciência ser apenas um recorte desintegrativo e fragmentário da totalidade psíquica, devido sua compulsão dissociativa, mas que se imagina totalidade, explícita em seus infinitos auto comandos do tipo “tem que ter” autocontrole, autossuficiência, autoestima, entre outros padrões normativos e imperativos que, se ganham muita autonomia, unilateralidade e literalidade, estimulam o contra ponto opositivo, na forma de doenças. Nossa mente, mente para nós mesmos, antes mesmo de mentir para os outros.

O Ego precisa aprender a servir a alma e reconhecer sua finitude, abrindo mão do monoteísmo da consciência, mas isso não é tarefa fácil, porque superar os hábitos, enfrentar a sombra e despotencializar os complexos patológicos, por estarem autônomos, exige muito investimento de energia e entrega ao Self, superando as defesas, as auto sabotagens e os autoenganos. Só podemos conhecer o que não conhecemos, porque aquilo que imaginamos conhecer, na realidade atualizada, não conhecemos mais, pela dificuldade de vermos, a nós mesmos ou os outros, atualizados e livres das nossas projeções, identificações e ou idealizações. Por isso, só podemos nos encontrar quando nos perdemos no si mesmo, desaprendendo o que imaginamos ser, para descobrirmos o que somos, ao invés de ficarmos apegados na mesmice do que imaginávamos ser, fixados nas velhas personas, aprendidas e condicionadas, que servem apenas para a manutenção da normopatia adaptativa, conservando-nos na condição de escravos financeiros, aprisionados na dinâmica do consumo, da dívida e do trabalho, sem sentido ou significado existencial.

A liberdade e a diversidade, para a consciência, é simultaneamente tanto uma experiência de redenção, quanto de danação. Porque o Ego, quando perde sua capacidade estruturante de simbolizar e metaforizar, diante das miríades de fenômenos, conteúdos arquetípicos, que são coletivos, e da falta de limites, pode sucumbir, desembocando na esquizofrenia, que representa a desestrutura egóica, ou na normose patológica, com a primazia do Ego super-estruturado, com características narcísicas e ególatras. Em ambos os casos, o Ego perdeu a capacidade de mediar a relação do coletivo com o individual, do singular com o plural, ficando individualista e egoísta, cindindo o corpo da psique, numa atitude polarizada ao negar um em detrimento do outro. Com isso, o Ego não possibilita o afloramento do processo de individuação que, na visão junguiana, exige que ele esteja saudável, que equivale a ser forte e flexível, fazendo oposição ao Ego doente, por oscilar entre a fraqueza desestruturada e a rigidez maníaca ou fundamentalista.

A liberdade depende da capacidade de fazermos escolhas conscientes, levando em consideração nosso inconsciente, e apesar da angústia da tomada da decisão, assumirmos, corajosamente, com quem e como vamos estabelecer nossas relações de dependência e servidão. Sempre conscientes de que ninguém tem o poder de transformar ninguém, mas ninguém se transforma sozinho! É na relação que acontece o confronto com o outro de nós mesmos. Porque a cura depende do contato afetivo (lembrando que cura, neste contexto, significa integridade e consistência). Para isso, é necessário estarmos conscientes de que só podemos dar aquilo que temos, mas jamais iremos receber aquilo que não temos para dar. Por isso, quando estamos recebendo o que não desejamos, é necessário reconhecer que é isso que estamos dando! Essa é a dinâmica da dádiva: dar, receber e retribuir, conscientes de que a dádiva dada de graça é que nos retribui a graça. Desta forma, para que aconteça a transformação efetiva, é necessário a tomada de decisão para a ação de sermos doadores daquilo que esperamos receber.

Como afirmou Jung, parece que existe um tempo, que não é linear ou lógico, por pertencer a Kairós, que depende de uma massa crítica de afetos, emoções e conteúdo, possibilitando que aconteça a prontidão para aplicar e agir aquilo que se sabe e quer. Numa espécie de movimento compensatório, entre consciente e inconsciente, para que o ato da vontade seja hipostasiado em atitudes. Neste sentido, Jung afirma que: “… O segredo do mistério criador, assim como o do livre-arbítrio, é um problema transcendente e não compete à psicologia respondê-lo. Ela pode apenas descrevê-lo. Do mesmo modo, o homem criador também constitui um enigma, cuja solução pode ser proposta de várias maneiras, mas sempre em vão” (Jung, O Espírito na Arte e na Ciência §155). Parece que precisa ter uma espécie de permissão de uma parcela do inconsciente, diferente e, às vezes, até opositiva aos complexos, para que a consciência tome a atitude de produzir sua obra, que equivale a sua arte e seu servir. Mas, como alertavam os antigos alquimistas, todo ser humano é uma artista que precisa servir a obra e, apesar de sua obra poder servir a muitos, devido sua falta de prontidão egóica, pode não servir a ele mesmo e, em alguns casos, até pode destruí-lo.

Waldemar Magaldi Filho

Fonte IJEP
*imagem site original


Eu vejo você

Quem assistiu o filme Avatar lembra que os Na’vi, povo nativo de Pandora, ao invés de dizer “eu te amo” dizia “eu vejo você”. Ver o outro é reconhecê-lo como semelhante, é ir além da superfície, e mergulhar no SER.
Significa mais do que ver o outro fisicamente. Significa ver um olhar amoroso dentro do outro, com compreensão, acolhimento e conexão de nossa vulnerabilidade, humanidade e divindade em comum.
Eu vejo a sua dor.
Eu vejo o seus potenciais. 
Eu vejo você e aceito tudo o que eu vejo, mesmo aquilo que não me agrada, mesmo aquilo que não encaixa nos meus padrões.

Eu vejo sua Luz.

Eu o vejo sem lhe julgar, sem lhe culpar. Eu vejo você além de quaisquer expectativas e projeções, pois elas podem prejudicá-lo e esconder sua identidade mais profunda.
Eu vejo você em todas as suas dimensões e na riqueza de todas as suas experiências. .

Eu vejo você, é a minha maneira de recebê-lo incondicionalmente, e ao fazê-lo, eu permito que você se veja e o receba como você é.

Eu vejo você, significa deixar-se irradiar, sem filtros, sem máscaras e sem medos.

Quando digo ”Eu Vejo Você”, não é apenas ”Eu estou só vendo você”. É muito mais do que isso, estou dizendo que: estou deixando de lado o meu julgamento, os meus preconceitos para enxergar você de verdade, inteiramente, como você realmente é, e aceito você exatamente do jeito que é.
Eu vejo você porque eu também consigo me ver.

Obs: Entre as tribos de Natal, na África do Sul, a saudação mais comum (em zulu) é Sawubona . Significa“ Eu Vejo você”. É uma forma de enxergar o outro, de aceitá-lo tal como é, com suas virtudes, nuances, e também com seus defeitos. Em resposta a essa saudação, as pessoas costumam dizer “shikoba” que quer dizer “então eu existo para você”. 
Eu te respeito, eu te valorizo, você é importante para mim. Toda minha atenção está com você, eu vejo você e me permito descobrir suas necessidades, vislumbrar seus medos, me aprofundar nos seus erros e aceitá-los. .
Eu aceito você como você é,
e você faz parte de mim.”


Texto by: @belisa.araujo



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