O COLETIVO ILUMINADO

 

À medida que a nova consciência emerge, algumas pessoas sentir-se-ão impelidas a formar grupos que reflitam a consciência iluminada. Estes grupos não serão egos coletivos. Os indivíduos que constituem estes grupos não terão necessidade de definir a sua identidade através deles. Já não procuram qualquer forma para definir quem são. Mesmo que os membros desses grupos ainda não estejam totalmente livres do ego, haverá consciência suficiente neles para reconhecerem o ego em si próprios ou nos outros, assim que ele se manifestar. Porém, têm de estar constantemente alerta, uma vez que o ego vai tentar assumir o controlo e reafirmar-se de todas as maneiras possíveis.

Dissolver o ego humano, trazendo-o à luz da consciência, será um dos principais objetivos destes grupos, sejam eles empresas iluminadas, instituições de caridade, escolas ou comunidades de pessoas que vivem juntas. Os coletivos iluminados vão ter uma função importante no surgimento da nova consciência. Tal como os objetivos egóicos nos atraem para a inconsciência e para o sofrimento, o coletivo iluminado pode constituir um vórtice de consciência que vai acelerar a mudança planetária.

Eckhart Tolle


Todo vício surge

Todo vício surge de uma recusa inconsciente de enfrentar e se mover através de sua própria dor. Todo vício começa com dor e termina com dor. Qualquer que seja a substância em que você é viciado em – álcool, comida, drogas legais ou ilegais, ou uma pessoa – você está usando algo ou alguém para encobrir sua dor. É por isso que, após a euforia inicial ter passado, há tanta infelicidade, tanta dor nos relacionamentos íntimos. Eles não causam dor e infelicidade. A dor e a infelicidade que já estão em você. Todo vício faz isso. Todo vício chega a um ponto em que não funciona mais para você, e então você sente a dor mais intensamente do que nunca.

– Eckhart Tolle

Conhecermo-nos e conhecer algo sobre si


É possível que não nos queiramos conhecer por termos medo daquilo que podemos encontrar. Há muitas pessoas que têm um medo secreto de ser más. Mas nada do que possa descobrir sobre si próprio é realmente você. Nada do que possa conhecer sobre si é verdadeiramente você.

Enquanto algumas pessoas não querem saber quem são devido ao medo que sentem, outras têm uma curiosidade insaciável sobre si próprias e desejam descobrir sempre mais. Podemos estar tão fascinados connosco que passamos anos a fazer psicanálise, esmiuçando todos os aspetos da nossa infância, desvendando medos e desejos secretos e descobrindo camadas e camadas de complexidade na composição da nossa personalidade e do nosso caráter.

Volvidos dez anos, o terapeuta pode ficar farto de nós e da nossa história e dizer-nos que a nossa análise está finalmente completa. Talvez nos mande embora com um dossier de cinco mil páginas. «Isto é tudo sobre si. Isto é quem você é.» À medida que carregamos o pesado dossier para casa, a satisfação inicial de pelo menos sabermos quem somos depressa se transforma numa sensação de incompletude e numa vaga suspeita de que deve haver mais qualquer coisa sobre nós próprios do que isso. E, de facto, há mais – talvez não em termos quantitativos de haver um maior número de factos, mas na dimensão da profundidade.

Eckhart Tolle – Um Novo Mundo


Tudo que vemos fora, é apenas um reflexo do nosso interior


✨ ✨Tudo que vemos fora, é apenas um reflexo do nosso interior, do que pensamos e sentimos. Por mais dúvidas e perguntas que tivermos, as respostas já estão no nosso interior, porque o universo que habita dentro de nós já é verdadeiramente interessante. Nós somos os causadores do nosso próprio dano. Por isso, focar em nós mesmos e responsabilizar-nos por nossas próprias emoções nos aproxima de um conhecimento mais profundo do universo interior. No fim das contas, a única coisa que podemos mudar em nossas vidas somos nós. ✨ ✨

 

“Você não está no universo, você é o universo, uma parte intrínseca do mesmo. Em última análise, você não é uma pessoa, mas um ponto focal onde o universo está se tornando consciente de si mesmo. Que incrível milagre.”

― Eckhart Tolle

 


 

Entrar em Profundidade no Corpo


 

Para entrar ainda com maior profundidade no corpo, experimente a seguinte meditação. Devem bastar entre dez a quinze minutos de tempo de relógio.

Primeiro certifique-se de que não há distrações externas, tais como telefones ou pessoas que possam interrompê-lo. Sente-se numa cadeira, mas sem se recostar. Mantenha a coluna ereta. Fazê-lo vai ajudar você a manter-se alerta. Em alternativa, escolha a sua posição preferida para meditação.

Certifique-se de que o corpo está relaxado. Cerre os olhos. Respire profundamente algumas vezes. Sinta-se a respirar, por assim dizer, para o abdômen inferior. Observe como ele se expande e se contrai ligeiramente a cada inspiração e expiração.

De seguida, tome consciência de todo o campo energético interior do corpo. Não pense nele: sinta-o. Ao fazê-lo, você retira consciência à mente. Se considerar que o ajuda, recorra à visualização da «luz» que acabei de descrever.

Quando sentir nitidamente o corpo interior como o único campo energético, abandone, se possível, qualquer imagem visual e concentre-se somente na sensação. Se conseguir, ponha também de lado qualquer imagem mental que porventura ainda tenha do corpo físico. Nessa altura, tudo o que resta é uma sensação de presença ou «existência» que abrange tudo, para além de sentir que o corpo interior não possui fronteiras.

Depois, dirija a sua atenção ainda com mais profundidade para o interior dessa sensação. Torne-se um só com ela. Funda-se com o campo de energia, para que deixe de existir uma dualidade visível entre observador e observado, entre você e o seu corpo. A distinção entre interior e exterior também se desfaz agora, por isso deixa de haver corpo interior. Ao entrar com profundidade no corpo, você transcendeu-o.

Fique neste mundo de Ser puro enquanto for confortável para si. Depois torne-se outra vez consciente do corpo físico, da sua respiração, dos sentidos físicos e abra os olhos. Observe o ambiente que o rodeia durante alguns minutos de forma meditativa (ou seja, sem o rotular mentalmente) e continue a sentir o corpo interior enquanto o faz.

Eckhart Tolle


imagem cortesia pixabay raiPR

 

Os Relacionamentos como Prática Espiritual


Como os seres humanos têm vindo, ao longo do tempo, a identificar-se cada vez mais com a mente, a maior parte dos relacionamentos não tem raízes no Ser e, assim sendo, transformam-se numa fonte de dor e são dominados por problemas e conflitos.
Se os relacionamentos dão energia e ampliam os padrões de mente egocêntrica, para além de ativarem o corpo de dor, tal como o fazem neste mesmo momento, por que não aceitar este facto em vez de tentar fugir dele? Por que não cooperar em lugar de evitar relacionamentos ou de continuar a perseguir a ilusão de um parceiro ideal como resposta aos seus problemas ou como um meio de sentir satisfeito?
Com o reconhecimento e a aceitação dos factos surge, além disso e a partir deles, um maior grau de liberdade.
Quando, por exemplo, você sabe que há desarmonia e guarda esse «saber», através dele introduz um novo fator e a desarmonia não pode continuar imutável.
Eckhart Tolle

 

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O Corpo de Dor nas Crianças


Enquanto a criança está a sofrer um ataque do corpo de dor, não há muito a fazer, a não ser manter-se presente, para não ser conduzido a uma reação emocional. O corpo de dor da criança só se alimentaria dela. Os corpos de dor podem ser extremamente dramáticos. Não caia nesse drama. Não o leve demasiado a sério. Se o corpo de dor tiver sido desencadeado por um desejo frustrado, não ceda às suas exigências. De outro modo, a criança aprenderá: «Quanto mais infeliz eu me tornar, mais facilmente conseguirei obter o que desejo.» Esta é a fórmula que conduz à disfunção na sua futura vida adulta. O corpo de dor da criança sentir-se-á frustrado pela sua não-reação e poderá intensificar-se ainda mais antes de ceder. Felizmente, os ataques do corpo de dor nas crianças são geralmente mais curtos do que nos adultos.
Algum tempo depois de o corpo de dor amainar, ou talvez no dia seguinte, pode falar com a criança sobre o que aconteceu. Mas não fale com a criança sobre o corpo de dor. Em vez disso, faça-lhe perguntas. Por exemplo: «O que te deu ontem para não conseguires parar de gritar? Lembras-te? O que sentiste? Sentiste-te bem? Aquilo que te passou pela cabeça tem um nome? Não? Se tivesse um nome, como se chamaria? Se conseguisses ver isso, como seria? Consegues fazer um desenho disso? O que aconteceu a isso quando desapareceu? Adormeceu? Achas que isso pode voltar?»
Estas são apenas algumas sugestões de perguntas. Todas estas perguntas são concebidas para despertar a capacidade de Presença na criança. Vão ajudá-la a deixar de se identificar com o corpo de dor, usando a terminologia dela. Da próxima vez que ela for dominada pelo corpo de dor, poderá dizer-lhe: «Aquilo voltou, não foi?» Use as palavras que a criança utilizou quando falaram sobre isso. Dirija a atenção da criança para o que ela sente. A sua atitude deve ser de interesse ou curiosidade, e não de repreensão ou castigo.
(Corpo de dor é um campo energético que a maioria dos seres humanos tem de emoções negativas antigas)
Eckhart Tolle